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Discoteca: Keane – Perfect Symmetry

Posted in Discoteca, Música, Vídeos with tags , , , , , , , , , , , on julho 21, 2010 by Jonatas

Os ingleses do Keane são mais antigos do que parecem. A banda já existe desde 1995, mas só alcançaram o mainstream em 2004 quando debutaram com o álbum “Hopes and Fears”. A faixa “Somewhere Only We Know” levou-os ao patamar de superestrelas em poucas semanas e fixou-se como grande hit da banda. Na época, não faltaram comparações com outras bandas. A crítica citava-os como cópia de Coldplay, Snow Patrol, Travis ou Starsailor. E realmente soavam bastante parecidos com tais bandas.

Mantiveram a fórmula do sucesso e partiram para um segundo disco sem muito sal nem açucar (“Under the Iron Sea”, 2005″, extremamente similar ao anterior. As comparações continuaram, claro, com o agravante de serem criticados por falta de criatividade. Começaram a chama-los de tediosos e cansativos. Foi ai que vieram os primeiros problemas visíveis de depressão, drogas e alcoolismo do vocalista Tom Chaplin que precisou ser internado em uma clínica de reabilitação (junto com Pete Doherty, já em carreira solo e Amy Winehouse). Tom precisava recomeçar do zero, e a clínica serviu perfeitamente para seu propósito.

Livre da pressão que havia lá fora, Chaplin voltou a compôr na clínica. Teve longas conversas com Doherty e passaram a tocar juntos quando tinham algum tempo livre por lá. Começou a admirar violões e guitarras, resolvendo deixar um pouco de lado o piano para explorar melhor esses instrumentos. Descobriu os sintetizadores e virou grande fã do synth-pop oitentista. Aprendeu a tocar um pouco de saxofone. E finalmente, deu forma ao melhor trabalho de sua carreira até agora.

Recuperado de seu inferno particular, Chaplin voltou ao mundo com um repertório completo de músicas quase acabadas. Essas canções foram a base de “Perfect Symmetry”, álbum lançado no final de 2008 e repaginado pelas mudanças interiores de seu principal compositor. Cada faixa possui uma personalidade diferente, quase como se possuissem vida própria. A faixa “Spiralling”, escolhida como primeiro single, foi executada incansávelmente pelas rádios e chegou ao primeiro lugar das paradas britânicas. As vendas desandaram e o reconhecimento imediato alcançou lugares que eles nem imaginavam. Argentina, Mexico, Canadá e finalmente a plenitude: 8 semanas consecutivas dentro do Top 10 de discos da Billboard, nos EUA.

De longe, esse é o disco mais interessante da Keane. Carregado de dor e sofrimento, sejam pessoais, sociais ou indefinidos, consegue tocar até mesmo quem não entede o idioma no qual é tocado. Um álbum necessário para fugir do tormento e cotidiano, mas principalmente para refletir. Afinal, todos precisamos de uma pausa para encontrar o melhor de si.