Arquivo de alternative-rock

I’m Your Zero

Posted in Música, Shows, Vídeos with tags , , , , , on julho 30, 2010 by Jonatas

A semana foi realmente intensa, com muitas confirmações de shows nos grandes festivais e algumas ainda não-completamente-confirmações que estão causando certo alvoroço na internet. Dentre elas, a apresentação dos Smashing Pumpkins no festival Planeta Terra em novembro está mais que acertada. Essa será a terceira apresentação da banda no Brasil para promover o disco-que-não-é-disco “Teargarde By Kaleidyscope” (cujas canções estão sendo lançadas aos pouquinhos somente na internet).

Quer dizer, é a terceira vinda de Billy Corgan ao Brasil, afinal os Smashing Pumpkins de hoje não são nem mesmo a sombra do que um dia foram. Único integrante original, o calvo vocalista já um pouco velho e cansado trará sua banda teenager (isso mesmo, os integrantes são praticamente adolescentes) para tentar promover um momento clássico na memória dos tupiniquins presentes no evento. A performance viajará por faixas históricas como “Tonight, Tonight”, “Zero”, “Bullets and Butterfly Wings” e “Ava Adore”, que levarão a platéia às alturas, isso é um fato. Corgan não abre mão de suas canções mais famosas nas tournês da banda, uma espécie de paranóia por nunca ter superado o Nirvana.

Entretanto, não podemos esperar algo muito… interessante. Recentemente a revista Rolling Stone publicou uma matéria com Corgan que evidencia sua depressão. Sua vida, conturbada desde a infância, contribuiu para que alguns traços de insanidade e auto-depreciação integrassem sua personalidade e interferissem um pouco na sua genialidade. Corgan já é um velho não realizado.

Se checarmos alguns vídeos da recente tournê conseguimos ver um pouco disso: cansado, dizendo frases sem sentido para o público, sem muita energia nem envolvimento, um tio perdido no meio da mulecada. Parece que não existe mais um foco e que o que acontece ali é puramente maquinal. Poderá ser um show cansativo, mas ao mesmo tempo é indispensável por tudo aquilo que os Pumpkins já representaram.

Até lá, o negócio é ver um dos clipes mais legais deles, da faixa “Thirty-Three”, espécie de lado b melancólico da melhor fase da banda!

Gigantes do Subúrbio

Posted in Música, Novidades, Random with tags , , , , , , , , , , , , , , on julho 28, 2010 by Jonatas

Muitos críticos musicais e culturais dizem que vivenciamos um início de século fraco na música. Chamam nossa geração músical de “vocalizadores do efêmero”, responsáveis por canções notáveis por um curto período de tempo, mas completamente esquecíveis a longo prazo. É claro que existem muitas bandas assim por ai hoje, mas elas sempre existiram e sempre existirão. Precisamos vislumbrar nuances de genialidade em meio ao mar de novidades diárias que nem sempre valem a pena. E eu me arrisco aqui a dizer que os canadenses do Arcade Fire são muito provavelmente tão incríveis e históricamente relevantes quanto Pink Floyd, Smiths ou The Cure já foram. Aliás, tem tudo para ser maiores, melhores e mais notáveis.

Acompanho a banda desde o início, quando lançaram em 2004 seu disco de estréia “Funeral”. Soturnos, melancólicos e tímidos, deixavam claras suas referências pós-punk iluminadas com poesias sensíveis e uma sonoridade pouco madura. Fiquei impressionado com o show enérgico que apresentaram no Tim Festival nessa época, bastante carismático. Eram diferentes e originais, apesar de pouco maduros ainda.

Então veio em 2006 o bombástico álbum “Neon Bible”. Aqui eles migraram da infância para a maturidade em todos os sentidos. Canções simétricamente perfeitas que rodeavam por inúmeros turbilhões emocionais de uma maneira tão tocante que era impossível tirar o disco do repeat. David Bowie citou que esse era um de seus discos preferidos e convidou a banda para abrir seus shows. Faixas como “Keep the Car Running” e “Intervention” foram elevadas pelos blogs ao patamar de clássicos. As indicações ao Grammy vieram e foram todas engolidas friamente. Para os integrantes o sucesso aparentava ser indiferente. E assim, depois de uma longa tournê sumiram para cumprirem seus projetos pessoais.

Para uma banda completamente underground de rock alternativo um hiato de quatro anos poderia favorecer seu esquecimento, mas surpreendentemente quando anunciaram que lançariam esse ano seu terceiro álbum de inéditas todos comentaram. As expectativas sobre o disco começaram a supervaloriza-lo antes mesmo do lançamento. E claro, a mídia tratou a novidade com certo desdém (com excessão de alguns jornalistas que se consideram cults e preferem remar sempre contra a maré). “The Suburbs”, como resolveram chamar o disco, supostamente não poderia superar seu trabalho anterior. “Neon Bible” seria para sempre a obra-prima da banda. Um grande erro pensar assim…

“The Suburbs” é tão avassaladoramente impressionante que calou o mundo. Não consegui ver uma crítica sequer até o momento que conseguisse descrever a sensação passada por essas 16 canções memoráveis. Todos ficaram de boca aberta com a novidade que se firma como um dos melhores discos da década (senão o melhor). Ficaram tão sem jeito com a situação que em algumas publicações chegaram a dizer que o disco é uma espécie melhorada de “Ok Computer”, clássico do Radiohead. Uma idiotice. Não dá para fazer comparações porque não existe uma referência para se comparar.

A faixa título já arrepia na primeira audição. “Ready to Start” abre o coração como se fosse uma pequena caixa de pandora e deixa fluir todos os sentimentos pelo ar. Assim o disco navega por diversas canções melancólicas e memoráveis até chegar em seu ápce com “Wasted Hours” que é quase um lamento choroso e pulsante ao mesmo tempo. E nesse ponto ele vai desacelerando delicadamente. É um disco perigoso de tão bonito! Ele realmente mexe com todos os sentidos e prende nossa atenção. Uma espécie de “O Apanhador do Campo de Centeio” sonoro. Não há um adjetivo sólido suficiente para descreve-lo.

O Arcade Fire conseguiu consolidar-se (pelo menos para mim) como um gigante da nossa geração. E deveriam ser escutados pelo menos uma vez por todos! Brilhantes e humildes até onde constam, merecem um pouco de atenção.

Made in Brazil: Black Drawing Chalks

Posted in Made In Brasil, Música with tags , , , , , , , , , , , , , on julho 26, 2010 by digitalterror

A rock’n’roll band. Music to drink and fuck. Essa é a bio da BDS [Black Drawing Chalks], uma banda de Stoner Rock [um rock com riffs de guitarra graves e lentos com grande influência setentista/psicodélica] de Goiânia!

Victor Rocha e Douglas Castro tiveram a dieia de montar uma banda na faculdade de Design Gráfico. Eles fazem parte do estúdio Bicicleta sem Freio [responsável pela identidade visual de vários shows e festivais de Goiânia] e decidiram chamar Denis de Castro, irmão de Douglas e estudante de arquitetura, para fundar o Black Drawing Chalks. Na época, Victor dividia os acordes e vocais com Marco Bauer. No início de 2007, Marco decide sair da banda e Renato Cunha é convidado a integrar o quarteto. O nome da banda, que significa “carvões pretos para desenhar”, vem de uma marca alemã de material para desenho Staedtler, influência constante na vida dos garotos.

Em 2007, lançaram o elogiado disco de estréia, “Big Deal”, pela gravadora Monstro Discos. Após o lançamento do álbum, a banda tocou pelo Brasil inteiro. No mesmo ano, abriram para os ídolos americanos do Nashville Pussy, tradição que se tornaria frequente. A banda já fez shows ao lado de nomes como The Datsuns, Motörhead e Eagles Of Death Metal.

Em 2009, com mais maturidade, o grupo lança seu segundo álbum “Life Is a Big Holiday For Us”, também pela Monstro Discos, após uma turnê pelo Canadá, onde a banda se apresentou no festival Canadian Music Week.

Com frequente exposição na mídia, longas turnês e participação nos maiores festivais do Brasil, o grupo conquistou três indicações ao VMB 2009, nas categorias Aposta MTV, Rock Alternativo e Videoclipe do ano, com o vídeo da música My Favorite Way, feito em uma parceria do coletivo Bicicleta Sem Freio com o estúdio Nitrocorpz, responsável por diversas vinhetas da MTV.

Pra mim, que faço design, o BDC é uma imensa jogada. Os caras sintetisam o design com o lance psicodélico do stoner-rock, com letras lisérgicas e contagiantes! O clipe da “My Favorite Way” mostra bem isso, com forte impacto visual.  Vamos deixar um pouco desse rock’n’roll certinho que escutamos hoje em dia pra viver um pouco do ácido desse estilo de sexo, drogas e tudo mais!

Também vale muito a pena viajar nas ilustrações do Bicicleta sem Freio, altamente viciante…  Então, let’s rock!!
_myspace

Lançamento: Venus Volts Is Dead?

Posted in Made In Brasil, Novidades, Vídeos with tags , , on julho 23, 2010 by Jonatas

Semana passada fiz um post na “coluna” Made In Brazil (leia aqui) sobre a banda Venus Volts, elogiando seu som enérgico, viciante e extremamente empolgante. Apenas um post para divulgar uma banda que merece espaço, que merece ser escutada.

O que eu não esperava é que o vocalista e guitarrista Pellê entrasse em contato comigo em função desse post. Pois bem, foi o que aconteceu! Trocamos algumas mensagens, rolaram agradecimentos mútuos e mais: generosamente a banda convidou esse blog para lançar oficialmente seu primeiro disco “Venus Volts Is Dead?”. E para tanto, disponibilizou gratuitamente o disco COMPLETO para download. Isso aê galera, DOWNLOAD. E totalmente LEGAL. Basta acessar o link abaixo para ouvir em primeira mão o mais que bem-vindo disco de estréia do Venus Volts!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Por essa ninguém mesmo esperava hehehe

Espero que gostem do disco, que passem para seus amigos, pais, irmãos e tias. O Musikaholic deseja muita sorte para todos os integrantes da banda e torce para que repensem seu futuro musical. Afinal, precisamos de bandas boas assim não é mesmo?

Dave Grohl seu SPOILER!

Posted in Música, Novidades, Vídeos with tags , , , , , , , on julho 22, 2010 by Jonatas

Redes sociais são realmente incríveis. Até mesmo as inalcançáveis celebridades gostam de brincar no Twitter, no Facebook, no Tumblr. Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana, atual baterista do Them Crooked Vultures e vocalista em férias do Foo Fighters, não conseguiu se segurar e contou pra galera no microblogging Twitter que está no estúdio produzindo demos para o sétimo disco desta última banda citada. Junto ao comentário, diversas fotos aleatórias foram postadas mostrando cabos, pedaleiras, capas de DVDs e outras banalidades contidas em um local de trabalho musical.

Quando o disco sairá? Qual o nome do disco? Quando teremos maiores novidades? Quantas faixas serão? Vão rolar mais previews na internet? Será que eles vão disponibilizar trechos das demos? Nenhuma dessas perguntas tem resposta. Mas é realmente interessante saber que os Foo Fighters estão produzindo novas canções, principalmente após comentários de que a banda terminaria “à francesa” para que seus integrantes pudessem trabalhar em projetos paralelos.

Ainda existem boatos de que Rick Rubin, produtor do clássico disco “Blood Sugar Sex Magic” (dos Red Hot Chilli Peppers, lançado em 1991. Leia mais aqui) está trabalhando nesse novo disco. Se for realmente verdade, podemos esperar ai um ótimo álbum!

Até lá, vamos lembrar do que é bom não é mesmo? “My Hero”, uma das melhores faixas da década de 90:

Discoteca: Keane – Perfect Symmetry

Posted in Discoteca, Música, Vídeos with tags , , , , , , , , , , , on julho 21, 2010 by Jonatas

Os ingleses do Keane são mais antigos do que parecem. A banda já existe desde 1995, mas só alcançaram o mainstream em 2004 quando debutaram com o álbum “Hopes and Fears”. A faixa “Somewhere Only We Know” levou-os ao patamar de superestrelas em poucas semanas e fixou-se como grande hit da banda. Na época, não faltaram comparações com outras bandas. A crítica citava-os como cópia de Coldplay, Snow Patrol, Travis ou Starsailor. E realmente soavam bastante parecidos com tais bandas.

Mantiveram a fórmula do sucesso e partiram para um segundo disco sem muito sal nem açucar (“Under the Iron Sea”, 2005″, extremamente similar ao anterior. As comparações continuaram, claro, com o agravante de serem criticados por falta de criatividade. Começaram a chama-los de tediosos e cansativos. Foi ai que vieram os primeiros problemas visíveis de depressão, drogas e alcoolismo do vocalista Tom Chaplin que precisou ser internado em uma clínica de reabilitação (junto com Pete Doherty, já em carreira solo e Amy Winehouse). Tom precisava recomeçar do zero, e a clínica serviu perfeitamente para seu propósito.

Livre da pressão que havia lá fora, Chaplin voltou a compôr na clínica. Teve longas conversas com Doherty e passaram a tocar juntos quando tinham algum tempo livre por lá. Começou a admirar violões e guitarras, resolvendo deixar um pouco de lado o piano para explorar melhor esses instrumentos. Descobriu os sintetizadores e virou grande fã do synth-pop oitentista. Aprendeu a tocar um pouco de saxofone. E finalmente, deu forma ao melhor trabalho de sua carreira até agora.

Recuperado de seu inferno particular, Chaplin voltou ao mundo com um repertório completo de músicas quase acabadas. Essas canções foram a base de “Perfect Symmetry”, álbum lançado no final de 2008 e repaginado pelas mudanças interiores de seu principal compositor. Cada faixa possui uma personalidade diferente, quase como se possuissem vida própria. A faixa “Spiralling”, escolhida como primeiro single, foi executada incansávelmente pelas rádios e chegou ao primeiro lugar das paradas britânicas. As vendas desandaram e o reconhecimento imediato alcançou lugares que eles nem imaginavam. Argentina, Mexico, Canadá e finalmente a plenitude: 8 semanas consecutivas dentro do Top 10 de discos da Billboard, nos EUA.

De longe, esse é o disco mais interessante da Keane. Carregado de dor e sofrimento, sejam pessoais, sociais ou indefinidos, consegue tocar até mesmo quem não entede o idioma no qual é tocado. Um álbum necessário para fugir do tormento e cotidiano, mas principalmente para refletir. Afinal, todos precisamos de uma pausa para encontrar o melhor de si.

Jakob Goes Dylan

Posted in Música, Novidades with tags , , , , , , , , on julho 19, 2010 by Jonatas

Durante toda a década de 90 as rádios ficaram infestadas com hits melosos e bem trabalhados da tímida banda Wallflowers, encabeçada pelo subestimado vocalista Jakob Dylan, ilustre filho de um ilustríssimo divisor de águas musical, Bob Dylan. Subestimado porque era inevitável não comparar o filho com o pai. A crítica massacrava alguns versos simples e melodias pop como se fosse obrigação de Jakob criar canções históricas e inteligentes. Sabe como é, a genética não pode falhar.

Mas ele conseguiu calar a boca da mídia. Vendeu milhões fazendo um rock alternativo agradável totalmente diferente do folk com o qual cresceu ouvindo. Não haviam rastros de country ou de blues em suas canções. Nada bucólico ou que soasse interiorano. Letras fáceis e pegajosas bastante coesas. Até conseguiram a benção de outro ícone da música, David Bowie, que permitiu a regravação de uma de suas canções para a trilha sonora de um filme inadequado (“Heroes”, regravada para a trilha do filme Godzilla). Jakob Dylan conseguiu se mostrar original e não ligava se agradava ou não os gregos e os troianos. Até que a banda acabou e fez-se necessário arriscar-se sozinho pela música. E nesse ponto que a situação foi revertida.

A carreira solo de Jakob Dylan soa como Bob Dylan. O folk está lá. O country também. Todos os versos parecem ter sido elaborados simetricamente perfeitos para soarem bucólicos. O vocal sereno meio caipira marca sua presença. Se fechar os olhos consegue até mesmo sentir o cheiro de grama molhada pela manhã naquele sítio isolado da humanidade e do café fresco preparado carinhosamente em um fogão à lenha. O pequeno Dylan decidiu que quer ser igual ao grande Dylan.

Apesar da cópia deslavada as canções são bonitas e em alguns momentos bastante interessantes. Não servem para ser clássicos e muito provavelmente nem atinjam o mainstream, mas valem a pena ser escutadas. Perdeu-se a originalidade (até mesmo visual, afinal o filho é a cara do pai e agora se veste como este também) em busca de uma zona de conforto que não era necessária para um artista competente. Lamentável, mas o que podemos fazer?

O segundo álbum do cantor chamado “Women + County” foi lançado recentemente e já pode ser encontrado na rede. Para ouvir mais trabalhos de sua carreira solo, visite o site oficial ou o MySpace ;)